A Câmara Municipal de Viamão – CMV realizou, na última quinta-feira (17), por iniciativa do vereador Maurício Carravetta - Progressistas, uma audiência pública que possibilitou o debate sobre os impactos sociais e econômicos dos recentes aumentos nas tarifas do transporte coletivo intermunicipal. O foco da abordagem concentrou-se nos efeitos para trabalhadores e estudantes que utilizam diariamente o sistema de transporte entre Viamão e Porto Alegre.
O evento contou com a presença do diretor-geral adjunto da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS - Agergs, Vinícius Silva; da diretora de regularização econômica da Agergs, Ana Carolina Ribeiro; dos vereadores Alex Boscaini – PT, Jonas Rodrigues – PL e Marco Antonio Borrega – PDT; da deputada estadual Sofia Cavedon – PT; da representante do movimento contra o aumento da passagem e assessora da deputada federal Fernanda Melchionna - PSOL, Carina Kunze, além de movimentos sociais, sindicatos, associações de bairro, lideranças estudantis e usuários do transporte.
De acordo com Carravetta, a iniciativa busca ampliar a transparência e garantir a participação da população nas decisões que afetam diretamente sua mobilidade e seu orçamento. “O objetivo é garantir transparência, diálogo e escuta pública sobre os critérios adotados nos reajustes tarifários, bem como discutir alternativas que promovam justiça tarifária e acessibilidade no transporte”, destacou o vereador.
A discussão ocorre em um momento de crescente insatisfação entre os usuários do sistema intermunicipal, especialmente após os últimos reajustes, que elevaram o custo das passagens e geraram críticas sobre a falta de justificativas claras para os aumentos. “Todo mundo aqui sabe o quanto é difícil depender do transporte coletivo entre Viamão e Porto Alegre. Cada aumento na passagem pesa no bolso de quem trabalha, estuda, ou precisa se deslocar todos os dias”, declarou o vereador Carravetta.
O parlamentar apontou que a mobilidade urbana está diretamente ligada à economia local, e que os aumentos nas tarifas dificultam tanto a contratação de mão de obra pelas empresas de Porto Alegre quanto o acesso dos viamonenses a oportunidades de emprego e serviços na capital. “Quando a passagem aumenta, o trabalhador de Viamão pensa duas vezes antes de aceitar uma vaga em Porto Alegre. E o empresário da capital tem mais dificuldade para contratar. Ou seja: todo mundo perde”, ressaltou.
Um dos objetivos da audiência pública foi entender o cálculo tarifário que levou ao segundo reajuste da passagem. “Nosso papel é dar voz à comunidade. Queremos entender com clareza esse reajuste, que consideramos nocivo à economia de Viamão. Estamos buscando soluções reais, com base em dados concretos. A população de Viamão merece respeito e acesso digno ao transporte coletivo”, afirmou Carravetta.
A representante do movimento contra o aumento da passagem, Carina Kunze, afirmou que o grupo surgiu como uma reação espontânea da comunidade diante do novo aumento na tarifa do transporte público. “Já vínhamos fazendo críticas há algum tempo a mudanças no sistema de linhas — junções mal planejadas que trouxeram dificuldades reais para moradores de diversos bairros. Além disso, observamos uma redução nos horários de circulação dos ônibus, especialmente em determinados períodos do dia, o que afeta diretamente quem depende do transporte para trabalhar, estudar ou cuidar de suas necessidades básicas”, disse.
Carina afirmou que a situação é agravada pela má qualidade do serviço oferecido, com ônibus sucateados, antigos, problemas de higiene e mecanismos que não funcionam adequadamente. “Diante de tudo isso, cresceu a indignação da população, que se vê obrigada a pagar caro por um serviço cada vez mais precário”, disse. Foi nesse contexto que foi criado o grupo, que rapidamente se transformou em um manifesto. “A mobilização resultou em um abaixo-assinado com 500 assinaturas, já protocolado na Câmara Municipal e também encaminhado ao Ministério Público”, pontuou.
O diretor-geral adjunto da Agergs, Vinícius Silva, esclareceu que a definição das políticas públicas relacionadas ao transporte intermunicipal de passageiros é de responsabilidade da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional – Metroplan. “Nós realizamos a regulação dos serviços, conduzimos os processos tarifários e verificamos a qualidade dos serviços prestados”, falou.
Ao final da sessão, o vereador Alex Boscaini ressaltou que os devidos encaminhamentos acerca do debate seriam remetidos à Metroplan e demais órgãos competentes. “Será elaborada uma moção de repúdio em razão de a empresa concessionária do transporte coletivo – Viamão não ter comparecido à audiência”, finalizou.