A Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI que investiga a eficiência e a qualidade dos serviços prestados pela Aegea Corsan em Viamão promoveu, na noite da última segunda-feira (2), mais uma plenária aberta à comunidade. O encontro ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Tomé e reuniu moradores, vereadores, representantes do Executivo Municipal, entidades comunitárias e integrantes da concessionária para debater questões relacionadas ao abastecimento de água, esgotamento sanitário, cobranças tarifárias e recuperação de vias públicas após intervenções realizadas pela empresa.
A atividade marcou a quinta plenária comunitária promovida pela comissão, que tem como objetivo reunir informações e relatos da população para subsidiar os trabalhos de fiscalização e a elaboração do relatório final da investigação. A CPI é presidida pelo vereador Marco Antonio Borrega - PDT e tem como relator o vereador Alex Boscaini - PT. Também integram a comissão os vereadores Lucianinho - União Brasil, Dieguinho Santos - PSD, William Pereira - PSDB, Rodrigo Pox - Podemos e Lucas Souza – PSDB. Participaram ainda da reunião a presidente da Câmara Municipal de Viamão, Michele Galvão - PSDB, o secretário municipal de Habitação, Eduardo Gutierres Roggia, representantes da Aegea Corsan, lideranças comunitárias e os vereadores Eraldo Roggia - MDB e Plínio Konig - PSDB.
Durante sua manifestação, a presidente do Legislativo destacou que as oitivas realizadas nas diferentes comunidades do município têm evidenciado problemas que afetam diretamente o cotidiano dos moradores. “Essa CPI e, principalmente, as oitivas que temos feito nas comunidades têm levantado questões importantes que estão pesando na vida de cada um dos munícipes de Viamão. Desde cobrança de taxas abusivas, falta de equipe da Aegea quando os cidadãos relatam um problema e questões ambientais graves que estão acontecendo em Itapuã”, afirmou Michele Galvão.
Segundo a parlamentar, a escuta da população é fundamental para que a comissão consiga identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos usuários dos serviços. “Queremos ouvir a população para que consigamos elencar todas as dificuldades e que isso seja revertido em melhoria na prestação do serviço e em não haver mais danos ambientais. Queremos ser a voz das comunidades”, acrescentou.
Entre os relatos apresentados pelos moradores, estiveram as reclamações sobre a demora na recuperação de ruas e calçadas após obras executadas pela concessionária. O morador Gerson Silva sugeriu a criação de uma legislação municipal para estabelecer prazos para os reparos. “Sugerimos um projeto de lei que obrigue a Aegea a fechar os buracos e asfaltar em até 72 horas”, defendeu. A qualidade da água fornecida à população também foi tema recorrente durante a plenária. Representando moradores da região, o líder comunitário conhecido como Seu Bira relatou dificuldades enfrentadas em períodos de chuva. “Tivemos problemas na qualidade da água. Não podíamos beber água nesses dias chuvosos, preparar a alimentação ou tomar banho. Somos consumidores e queremos qualidade”, declarou.
Outro apontamento apresentado durante o encontro foi a necessidade de fortalecimento da fiscalização técnica dos serviços de saneamento. O presidente da Associação dos Moradores do Lago Tarumã, Luiz Henrique Feijó Machado, sugeriu a criação de uma estrutura especializada para acompanhar os dados e informações apresentados pela concessionária. Para ele, o município poderia contar com um órgão técnico qualificado ou até mesmo uma secretaria específica voltada ao saneamento básico. Segundo Machado, essa estrutura permitiria verificar a consistência dos dados fornecidos pela empresa e ampliar o acompanhamento das políticas públicas relacionadas ao setor. Ele também defendeu que os recursos do fundo de gestão compartilhada possam ser utilizados para custear esse trabalho, contemplando as quatro áreas do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e gestão de resíduos sólidos.
As demandas e manifestações registradas durante a plenária serão incorporadas aos trabalhos da CPI e poderão contribuir para as conclusões e recomendações que integrarão o relatório final da comissão.