Na tarde da última quarta-feira (15), foi realizado o 2º encontro do Fórum Permanente Famílias Atípicas, iniciativa conduzida pela presidente da Câmara Municipal de Viamão – CMV, Michele Galvão - PSDB, que reuniu comunidade, familiares e profissionais da rede municipal de saúde. O objetivo do encontro foi promover o diálogo, a troca de experiências e o fortalecimento de políticas públicas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista - TEA e suas famílias. Também estiveram presentes os vereadores Jonas Rodrigues - PL, Plínio Konig - PSDB, William Pereira - Podemos e Lucianinho – União Brasil.
Durante a abertura, a presidente Michele destacou que o Fórum surgiu a partir de demandas apresentadas inicialmente por mães atípicas, que destacaram a necessidade de monitores capacitados ao atendimento de alunos com TEA na rede municipal de ensino. Segundo Michele, a escuta dessas famílias evidenciou a necessidade de estruturar um espaço permanente de diálogo. “A partir disso, entendemos que deveríamos transformar essa iniciativa em um Fórum Permanente, considerando as demandas trazidas pelas famílias e pensando juntos nos melhores encaminhamentos”, afirmou.
Entre as principais demandas apresentadas no encontro, destaca-se a longa espera por consultas com neuropediatra, que pode ultrapassar dois anos. De acordo com relatos da comunidade, há contingente significativo de crianças já diagnosticadas no município, número que tende a crescer. Também foi ressaltada a importância de formalizar as reclamações junto à ouvidoria como forma de dar visibilidade ao problema. Outro ponto central apontado no debate, é a necessidade de ampliação da equipe multiprofissional, com profissionais capacitados para o atendimento de pessoas com TEA. As discussões destacaram a importância de investimentos em terapias diversas, qualificação dos profissionais da ponta e fortalecimento de uma articulação intersetorial entre saúde, educação e assistência social, visando um atendimento mais integrado e eficiente.
Na área da saúde, foram apresentados avanços na estrutura de atendimento desde 2021. Com a criação do Centro de Especialidades Infantil, a rede passou a incluir diferentes profissionais e, atualmente, conta com dois fisioterapeutas, um pediatra, três psicólogas, uma terapeuta ocupacional, uma psicopedagoga, um psiquiatra e atendimentos em grupo. Além disso, o município dispõe do Centro Florescer, voltado à estimulação precoce, e do Centro de Ensino Municipal para Pessoas com Autismo - Cempa, serviço educacional que também oferece terapias. Apesar dos avanços, os participantes do debate reconheceram desafios, especialmente na contratação de neuropediatras e terapeutas ocupacionais, devido à escassez desses profissionais no Rio Grande do Sul. Como alternativa, foi mencionada a possibilidade de ampliação dos atendimentos por meio do teleatendimento, permitindo a atuação de especialistas de outras regiões.
A criação do serviço CAS TEAcolhe para implementação futura também foi destacada, sendo um serviço especializado de avaliação e atendimento em saúde à pessoa com TEA e às famílias, com equipe multiprofissional com formação em Autismo. Na área da educação, a secretária da pasta, Marcia Culau, apontou que atualmente cerca de 2.700 alunos possuem diagnóstico de alguma deficiência, não apenas TEA, e que a demanda já supera a capacidade de atendimento.
Como encaminhamentos, o Fórum apontou propostas como a criação de grupos de apoio para mães atípicas nas escolas, melhorias nos processos de acesso, regulação e priorização dos atendimentos, além da avaliação de convênios para ampliar a rede e da construção de políticas específicas voltadas ao cuidado das famílias. O encontro reforçou a importância da escuta ativa e da construção coletiva de soluções para garantir atendimento mais ágil, integrado e humanizado às pessoas com TEA.