Vazamentos, obras e tarifas são alvo de debate em reunião da CPI que investiga serviços da Aegea Corsan
Primeira plenária da comissão reúne moradores das Augustas, que relatam falhas no abastecimento, problemas em obras e cobranças elevadas
PUBLICADO EM 05/05/2026 - 10:46

A Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI que apura a eficiência e a qualidade dos serviços prestados pela Aegea Corsan realizou, na noite da última segunda-feira (4), sua primeira reunião plenária junto à comunidade. O encontro ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Luciana de Abreu, na região das Augustas, reunindo moradores, autoridades e representantes do Legislativo para discutir demandas relacionadas ao abastecimento de água e ao tratamento de esgoto no município.

Presidida pelo vereador Marco Antonio Borrega - PDT e tendo como relator o vereador Alex Boscaini - PT, a comissão também é composta pelos vereadores Lucianinho - União Brasil, Dieguinho Santos - PSD, William Pereira - Podemos, Rodrigo Pox - Podemos e Lucas Souza - PSDB. Também participaram a presidente da Câmara Municipal de Viamão, Michele Galvão - PSDB, e os vereadores Vitor Moreira - PSD, Eraldo Roggia - MDB e Plínio Konig - PSDB. A concessionária Aegea Corsan, embora convidada, não compareceu. A reunião foi marcada por relatos de problemas recorrentes enfrentados pela população, como vazamentos de água, interrupções no abastecimento, obras inacabadas e cobranças consideradas elevadas. A presença do Procon no local possibilitou que os moradores formalizassem suas reclamações.

DEMANDAS - Durante sua manifestação, a presidente do Legislativo, Michele Galvão, destacou o papel da CPI como instrumento de escuta e encaminhamento das demandas populares. Segundo ela, “essa CPI permite consolidar e materializar de forma robusta todas as demandas que a população traz diariamente”. Michele também ressaltou a importância da participação comunitária, afirmando que é uma das funções da Câmara estar em contato com os cidadãos com o objetivo de interceder em favor da comunidade.

O vereador Lucas Souza chamou atenção para problemas estruturais decorrentes das obras da concessionária. “Há diversas ruas com vazamento de água potável e intervenções realizadas sem o devido cuidado, com valas abertas, reparos feitos de qualquer jeito e calçadas danificadas”, disse. Ele também apontou a falta de comunicação com a prefeitura sobre impactos no trânsito ocasionados pelas obras em andamento. Já o vereador Dieguinho Santos associou os problemas a uma possível redução de investimentos, mencionando “corte de custos e de pessoal” e defendendo maior pressão sobre a empresa. Ele incentivou a população a formalizar reclamações. “É importante fazer protocolo e buscar os direitos também no Procon, pois pagamos caro por esse serviço”, falou.

Na mesma linha, o vereador William Pereira destacou que o acesso à água e ao saneamento é um direito básico, criticando os valores cobrados. Ele sugeriu a convocação formal da empresa Aegea Corsan e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul - Agergs para prestar esclarecimentos, diante da falta de água frequente relatada pelos moradores. O vereador Vitor Moreira, convidado da região, enfatizou a necessidade de planejamento nas obras, observando que há abertura de muitas ruas sem previsão efetiva de conclusão, o que tem causado acidentes. Ele defendeu que a empresa comprove capacidade operacional e orçamentária para executar os serviços.

O vereador Eraldo Roggia apontou que os problemas são generalizados, afirmando que “todas as comunidades têm vazamentos, com água sendo perdida”, além de criticar as tarifas. Em sua avaliação, a privatização do serviço resultou em piora no abastecimento. Plínio Konig, por sua vez, reforçou a necessidade de cumprimento contratual, destacando a ausência de respostas por parte da empresa. Para ele, trata-se de um serviço de má qualidade e desorganizado, que exige maior fiscalização.

COMUNIDADE - Moradores também relataram situações específicas. Juliano Adriano da Silva afirmou enfrentar problemas de esgoto há mais de 20 anos. Segundo ele, uma intervenção recente agravou a situação: “foi feita uma obra que gerou uma tubulação diretamente na minha propriedade”, sem solução até o momento, apesar de protocolos junto à prefeitura e ao Ministério Público.

Elisângela Goulart relatou dificuldades com a infraestrutura disponível e com os custos: “as tubulações são muito pequenas, em níveis inadequados, e as contas são caríssimas”. Ela também afirmou que ainda não realizou a ligação ao sistema de esgoto, citando custos adicionais.

ENCAMINHAMENTOS - Ao final do encontro, o presidente da CPI, Marco Antonio Borrega, afirmou que todas as demandas serão encaminhadas à concessionária e que a comissão buscará respostas concretas. “Queremos saber quem são os responsáveis pelas obras, qual é o planejamento e onde estão as estações de bombeamento”, declarou. Ele também anunciou que a Aegea Corsan, a Agergs e o Ministério Público deverão ser convocados para as próximas plenárias. Borrega informou ainda que será disponibilizado, nos próximos dias, um canal no site da Câmara de Viamão para o envio de denúncias e sugestões por parte da população, com o objetivo de subsidiar os trabalhos da CPI.

O calendário preliminar das próximas reuniões prevê encontros semanais, sempre às 19h, em diferentes regiões do município, incluindo Viamópolis, Centro, Itapuã, São Tomé, Águas Claras, Vila Elza, Santa Isabel e Santo Onofre, ampliando o diálogo com a comunidade e a coleta de informações sobre os serviços prestados.