A Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI que apura fatos divulgados em redes sociais envolvendo um suposto áudio atribuído ao prefeito Rafael Bortoletti, realizou mais uma reunião ordinária na tarde da última terça-feira (23), no plenário Tapir Rocha. O material investigado conteria uma suposta solicitação de valores financeiros destinados à campanha eleitoral da então candidata à prefeitura e atual presidente da Câmara de Viamão, Michele Galvão - PSDB. Durante o encontro, os vereadores deliberaram que o relatório final da CPI será apresentado na próxima terça-feira (30), junto com o indicativo dos órgãos aos quais o documento será encaminhado. De acordo com a comissão, o relatório será remetido ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Viamão para as providências cabíveis.
A CPI é presidida pelo vereador Alex Boscaini - PT e tem como relator o vereador Marco Antonio Borrega - PDT. Também integram a comissão os vereadores Dilamar de Jesus - PSDB, Plínio Konig - PSDB, Jonas Rodrigues - PL, Xandão Gomes - Republicanos e Lucianinho - União Brasil. Durante a reunião, o relator Marco Antonio Borrega informou que a CPI encaminhou ofício ao Ministério Público questionando se havia orientação à denunciante Eduarda Peres para que permanecesse em silêncio diante dos questionamentos dos parlamentares. Segundo ele, a resposta do órgão foi negativa. “Em momento algum a Promotoria de Justiça expediu orientação ou recomendação no sentido de que Eduarda Peres deixasse de responder aos questionamentos formulados no âmbito da CPI”, informou o Ministério Público.
Na sequência, Borrega apresentou a conclusão do laudo técnico relacionado ao áudio investigado, documento que, segundo informado pelo presidente da CPI, Alex Boscaini, foi apresentado pelo próprio prefeito. Conforme relatado, a análise apontou inconsistências no material. “Conclui-se que o material examinado apresenta ruptura de continuidade entre outros segmentos analisados e o segundo trecho não corresponde a uma emissão vocal humana natural, mas sim a um conteúdo compatível com gravação sintética e tecnologia de clonagem vocal (deep fake de áudio), circunstâncias que comprometem a sua autenticidade como registro espontâneo e íntegro da fala humana”, leu o relator Borrega. Ainda conforme registrado, nenhum dos parlamentares presentes questionou o conteúdo do laudo técnico apresentado durante a reunião.
A comissão deverá concluir seus trabalhos com a leitura e apresentação do relatório final na próxima semana, encerrando a fase investigativa e encaminhando os resultados aos órgãos competentes.