A Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI que apura a qualidade e a eficiência dos serviços de abastecimento de água prestados pela Aegea Corsan em Viamão realizou, na noite da última segunda-feira (22), mais uma plenária aberta à comunidade. O encontro, que ocorreu na Escola Estadual de Ensino Fundamental Adonis dos Santos, no bairro Santo Onofre, reuniu moradores, vereadores, representantes da concessionária, do Procon e do Executivo Municipal para discutir demandas relacionadas ao abastecimento de água, esgotamento sanitário, cobranças tarifárias e atendimento aos usuários.
A atividade integrou o ciclo de plenárias públicas promovido pela comissão, que tem como objetivo ouvir a população, coletar informações e subsidiar a elaboração do relatório final da investigação. A CPI é presidida pelo vereador Marco Antonio Borrega - PDT e tem como relator o vereador Alex Boscaini - PT, contando ainda com a participação dos vereadores Lucianinho - União Brasil, Dieguinho Santos - PSD, William Pereira - PSDB, Rodrigo Pox - Podemos e Lucas Souza - PSDB. Também estiveram presentes os vereadores Diego Petry - Podemos e Eraldo Roggia - MDB.
Representando o Executivo, o secretário de Habitação, Eduardo Roggia, destacou o acompanhamento contínuo das demandas levantadas nas comunidades. “Estamos acompanhando a comissão em mais um bairro e parabenizamos a iniciativa de realizar reuniões semanais, debatendo e apontando questões importantes para a fiscalização dos serviços prestados pela Aegea”. O secretário ressaltou ainda que a administração municipal tem sido constantemente cobrada pela população e tem buscado intensificar a fiscalização. “A dor dos moradores é a nossa mesma dor. Temos feito levantamentos e reuniões quinzenais junto à concessionária para tratar de temas como saneamento, contas de água e outras demandas”, afirmou. Ele acrescentou que o secretário-geral de Governo, Túlio Barbosa, também acompanha o processo e dará os encaminhamentos necessários, reforçando que a Prefeitura permanece à disposição da comunidade.
Durante a plenária, moradores relataram problemas recorrentes. Elisandra, residente há anos na região da Martinica, denunciou a troca de hidrômetros sem aviso prévio e a demora no conserto de vazamentos. “Na minha rua teve um cano estourado por mais de três meses. Recentemente, ficamos três dias sem água, o que é um absurdo. Não estamos pedindo nada de extraordinário, apenas um direito pelo qual pagamos”, declarou.
O morador Jamir também levantou questionamentos sobre a qualidade da água fornecida. Em sua avaliação, houve piora após a concessão dos serviços. Ele afirmou que, anteriormente, apesar de falhas, havia maior controle de qualidade. “Hoje recebemos uma água com coloração, cheiro e gosto diferentes”, disse. Jamir também manifestou preocupação com possíveis impactos ambientais, mencionando a perfuração de poços em Águas Claras e a operação de estações de tratamento de esgoto. Segundo ele, há dúvidas sobre o destino dos resíduos e a logística de encaminhamento do esgoto para tratamento em Alvorada.
O relator da CPI, vereador Alex Boscaini, foi enfático ao criticar a atuação da concessionária. De acordo com ele, a empresa, após assumir o serviço, promoveu demissões de profissionais especializados, reduziu salários e ampliou a terceirização. “O resultado disso é o avanço do desserviço em todos os quesitos que temos ouvido nas reuniões”, afirmou. Ele também apontou falhas no atendimento ao público e na resolução de demandas, classificando o contrato firmado como prejudicial à população. “Se a empresa não está cumprindo suas obrigações, é possível discutir o rompimento do contrato”, destacou.
O presidente da CPI, vereador Marco Antonio Borrega, reforçou que as reclamações apresentadas pela comunidade são recorrentes em diferentes regiões do município. Entre os principais pontos citados estão a cobrança de taxas consideradas abusivas, problemas na recomposição da pavimentação após obras de saneamento e a ocorrência frequente de vazamentos.
Ao final dos trabalhos, a Comissão reiterou que as plenárias seguem ocorrendo em diferentes bairros de Viamão, com o objetivo de ampliar a participação popular e consolidar um diagnóstico detalhado sobre a prestação dos serviços, contribuindo para as decisões que serão tomadas ao final dos trabalhos da CPI.