A gerente institucional da Organização Não Governamental (ONG) Associação 101 Viralatas, Franciele Amaral, utilizou o espaço da tribuna popular durante a sessão ordinária da última terça-feira (9), na Câmara Municipal de Viamão - CMV, para apresentar demandas e projetos relacionados à causa animal no município. Durante sua manifestação, Franciele abordou temas como o abandono de animais, os impactos sociais da causa animal e a necessidade de fortalecimento de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal. Ela também destacou o trabalho desenvolvido pela entidade há mais de 20 anos em Viamão, com atuação voltada ao acolhimento de animais e ações educativas, sociais e ambientais.
Atualmente, a ONG abriga mais de 350 animais, entre cães, gatos e dois cavalos, recebendo casos de toda a Região Metropolitana, com foco no município. Segundo a representante, a instituição enfrenta uma crescente demanda por acolhimento. “Recebemos pedidos frequentes de ajuda, mas, neste momento, estamos impossibilitados de receber novos animais”, afirmou. A limitação ocorre em razão de uma notificação do Ministério Público relacionada a uma questão sanitária. De acordo com Franciele, há um córrego que atravessa a área da ONG, por onde escoam resíduos contaminados. “Temos um acúmulo de água que passa pela 101 Viralatas, e resíduos infectados acabam desaguando nesse córrego, o que gerou a notificação”, explicou.
Para resolver o problema, seria necessário um investimento superior a R$ 160 mil em infraestrutura de esgotamento sanitário. “Não temos recursos para essa obra neste momento, especialmente considerando que a rede de esgoto cloacal deve chegar até 2027”, destacou. Enquanto a situação não é regularizada, a ONG mantém fechada sua clínica veterinária, que atende os animais acolhidos e também contribui para a geração de receita. “Precisamos resolver essa questão sanitária para reabrir a clínica e garantir mais uma fonte de renda”, pontuou.
Atualmente, a entidade enfrenta dificuldades financeiras. Segundo Franciele, o custo mensal gira em torno de R$ 120 mil, enquanto a receita fixa é de aproximadamente R$ 97 mil. “Estamos operando no negativo todos os meses e já acumulamos uma dívida de cerca de R$ 140 mil, que continua crescendo”, relatou. As principais fontes de renda da ONG incluem doações de pessoas físicas, por meio de apadrinhamento, além de iniciativas como brechó beneficente e a venda de tampinhas plásticas. “Todas as nossas ações são sustentáveis”, ressaltou.
Como medida de fortalecimento financeiro e impacto social, a ONG pretende implantar uma cooperativa de reciclagem de tampinhas plásticas em Viamão. A proposta é gerar renda para pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiar pequenos protetores. “Essa iniciativa possibilita remunerar quem hoje não consegue se inserir no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, fortalecer a causa animal”, afirmou. Ao encerrar sua participação, Franciele reforçou a importância do apoio do poder público e da comunidade para a continuidade das atividades. “Queremos continuar tendo estrutura para realizar o nosso trabalho e seguir atendendo os animais que precisam”, concluiu.